Biblioteca Central celebrou o Dia Mundial do Braille

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O dia 04 de janeiro foi escolhido para comemorar o Dia Mundial do Braille, que dá alusão à data de nascimento de Louis Braille (1809-1852), ocorrido na pequena cidade de Coupvray, pertencente ao Distrito de Seine-Marne, na França.

Fonte: Associação de Cegos Louis Braille, 2023.

Em 1812, aos 5 anos de idade, quando brincava como de costume na oficina de seu pai, Louis Braille feriu seu olho esquerdo ao tentar perfurar um pedaço de couro com um objeto pontiagudo, causando grave hemorragia. O ferimento infeccionou e não havia auxílio médico eficaz para eliminar o centro da infecção. Alguns meses mais tarde, a infecção atingiu o outro olho, resultando em cegueira total.

Louis Braille estudou no Instituto Real dos Jovens Cegos e utilizava o sistema de leitura de Valentin Haüy, porém, preocupava-se com uma escrita para cegos. Braille contou com Charles Barbier de La Serre, oficial do exército francês criador de um sistema de sinais em relevo denominado sonografia ou código militar. Esse código militar baseava-se em doze sinais, compreendendo linhas e pontos salientes, representando sílabas na língua francesa. Através deste sistema, qualquer frase podia ser escrita, mas como era um sistema fonético as palavras não podiam ser soletradas.

A significação tátil dos pontos em relevo do invento de Barbier deu base para Louis Braille criar uma escrita especificamente para pessoas cegas – o Sistema Braille -, que ficou pronto em 1824 quando tinha apenas 15 anos de idade.

Esse sistema é aplicável tanto na leitura como na escrita cuja estrutura diverge fundamentalmente do processo que inspirou seu inventor. A estrutura é formada por uma célula de seis pontos, divididos em duas colunas de três pontos cada, que podem constituir 63 sinais simples distribuídos sistematicamente em sete séries. O Sistema Braille chega no Brasil através de José Alvares de Azevedo e foi adotado a partir de 1854, com a criação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos, hoje Instituto Benjamin Constant.

Desde as primeiras ações para leitura e escrita às pessoas com deficiência visual, como o sistema de Louis Braille, são realizadas inúmeras iniciativas em instituições em diferentes países, no sentido de encontrar meios que proporcionem às pessoas cegas condições de ler e escrever.

Nesse sentido, com o objetivo de facilitar o acesso à informação e ao conhecimento no ensino superior, a UFPA dispõe do Espaço Braille da Biblioteca Central. O qual foi criado na década de 1990 para atender a comunidade acadêmica com deficiência visual. Um dos suportes em destaque se refere a seu acervo, sendo constituído por 471 exemplares de livros e 398 exemplares de periódicos em braille. Todo o acervo é proveniente de doação desde o início da criação do Espaço Braille, recebida especialmente do Instituto Benjamim Constant, Fundação Dorina Nowill e Senado Federal.

A maioria dos livros em grafia braille está cadastrada no Sistema Pergamum e disponível para o empréstimo domiciliar. Os perfis dos usuários atendidos compreendem discentes de cursos de graduação, pós-graduação, ensino médio, de cursos livres, além de pesquisadores e profissionais interessados, principalmente, nas temáticas da deficiência visual e da acessibilidade.

Fonte: Suelene Assunção, 2023.

Texto: Suelene Santana
Revisão: Francisca Varanda e Markene Ferreira

Fontes consultadas

ASSOCIAÇÃO DE CEGOS LOUIS BRAILLE. Louis Braille. Belo Horizonte: [s.n.], [2023]. Disponível em: https://www.aclouisbraille.org.br/quem-foi-louis-braille. Acesso em: 04/01/2023.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ. Superintendência de Assistência Estudantil. Curso de braille para iniciantes. Belém: UFPA, 2022.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ. Biblioteca Central Prof. Dr. Clodoaldo Beckmann. Relatório Anual de Atividades 2021. Belém: UFPA, 2022. Disponível em: https://bc.ufpa.br/wp-content/uploads/2022/04/RAA-2021-BC.pdf. Acesso em: 04/01/2023.